sábado, 16 de janeiro de 2016

Vida e agonia para os cristãos no Iêmen

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

*Artigo de Padre Olmes Milani,
Missionário Scalabriniano


Os missionários e leigos das pastorais do Vicariato Sul da Arábia estiveram reunidos em Assembleia Anual, em Abu Dhabi, de 11 a 14 de janeiro de 2016, para fazer avaliações, projetos e partilhar notícias da caminhada das comunidades católicas na região. O Vicariato conta cinco escolas e oito igrejas paroquiais nos Emirados Unidos; quatro igrejas paroquiais no Sultanato de Omã e quatro igrejas destruídas no Iêmen. No Iêmen, as Irmãs da Caridade estão presentes em lugares atendendo, principalmente, crianças deficientes.

Sob a coordenação do Bispo Dom Paulo Hinder, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer o andamento de todos os trabalhos e a situação das comunidades cristãs católicas que se compõem, exclusivamente, de expatriados. Na região, existem também diversas comunidades árabes católicas de expatriados do Líbano, Síria, Iraque e Egito. Além de usar a língua árabe, celebram com os ritos melquita, bizantino, maronita e latino.

Alguns números revelam a vitalidade das comunidades. Em 2015, foram celebrados 2.662 batismos, 399 casamentos, 2.486 crianças receberam a Eucaristia pela primeira vez e 2.503 jovens, adolescentes e adultos receberam o Sacramento da Confirmação. No momento, 27.959 crianças participam da catequese em todo o Vicariato.

Contra toda a esperança devido à guerra, um missionário no Iêmen conseguiu estar presente na Assembleia, enquanto o outro não pode sair do lugar onde se encontra devido aos conflitos que assolam aquele país. O relato dos acontecimentos, da situação e seu testemunho comoveram a assembleia. Os dois sacerdotes salesianos que estão no país moram em lugares diferentes. Há muitos meses não podem encontrar-se. Cada um mora em regiões controladas por grupos armados diferentes. Sair para algum lugar sob o controle de outro grupo pode significar prisão e, talvez, morte.

 As quatro igrejas, praticamente destruídas, não oferecem a mínima condição de uso. O missionário celebra numa das quatro instituições onde trabalham as Irmãs da Caridade, fundadas pela Bem-Aventurada Madre Teresa de Calcutá. Além das irmãs, participam das missas duas, quatro ou seis pessoas. Não se sabe ao certo quantos cristãos ainda estão no país, mas tudo indica que são muito poucos.

As irmãs estão muito assustadas pelos bombardeios e pelos enfrentamentos das facções locais e das forças de coalizão. Mesmo assim, preferem continuar heroicamente no país assistindo, especialmente, as crianças.

Vale lembrar que no Iêmen, o cristianismo foi bastante florescente. Até já houve uma diocese com sede em Áden.

A guerra no Iêmen continua e não há perspectiva de até quando fará vítimas naquele país que, há décadas, sofre com a instabilidade política que reduziu sua população à miséria. O futuro do cristianismo é incerto. Espera-se a desejada paz e condições favoráveis para que possa voltar ao Iêmen.’


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