segunda-feira, 3 de abril de 2017

Na mesquita

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo do Padre Fernando Domingues,
Missionário Comboniano


‘Omar esperava-nos à entrada da mesquita. Tinha um sorriso cordial, e uma barba branca curta. Devia andar mais ou menos pela minha idade, e apresentou-se como o guia que ia acompanhar o nosso grupo na visita. Para mim, como para a maior parte dos membros do nosso grupo, todos cristãos empenhados na vida da Igreja, era a primeira vez que tínhamos esta oportunidade.

Guiando a nossa visita, falou-nos da arquitetura daquele lugar de culto : erguida já quase no fim do século XX, é uma tentativa bonita e elegante de criar um lugar de encontro e oração para a comunidade muçulmana de maneira tal que pudesse ser fiel à sua tradição religiosa usando elementos e materiais da tradição romana. Tudo somado, uma obra grandiosa e impressionante para todos nós.

Lá dentro, tendo deixado os sapatos à entrada em sinal de respeito, e também para não estragar a belíssima tapeçaria que cobre por inteiro o chão daquele lugar de oração, escutamos com atenção aquele homem que nos contava algo da vida da sua comunidade nesta cidade de Roma e arredores.

«Naturalmente», dizia ele, «não é fácil acolher e harmonizar as necessidades e a sensibilidade de todos os fiéis que aqui vêm para o ensino e para a oração : esta religião é praticada com uma grande variedade de formas nos muitos países de onde provêm os nossos irmãos na fé. Mas procuramos vir ao encontro de todos, na medida do possível.» Explicou-nos como rezam, cinco vezes por dia, e como procuram seguir aquilo que crêm ser a vontade de Deus nos vários aspectos da vida, desde a educação dos filhos, à vida de família, à maneira como tentam ajudar quem precisa, etc.

Fez-nos a todos uma impressão bonita, escutar este homem que nos falava da sua vida de fé de maneira muito realista, com a simplicidade de alguém que fala da luz que guia toda a sua vida em direção a Deus. Sabia muito bem que os que ali tínhamos vindo a escutá-lo éramos todos cristãos, mas partilhava a sua fé com aquela serenidade profunda de quem encontrou o seu caminho na vida sem pretender ser superior ou inferior aos outros.

Ao fim do encontro todos lhe agradecemos sinceramente pela prenda que nos deu : poder conhecer um pouco mais a religião islâmica num ambiente de partilha serena e fraterna, só com a vontade de nos conhecermos melhor para nos podermos respeitar e estimar mais uns aos outros.

Ao sair da mesquita corremos para os carros porque começavam a cair uns pingos grossos de chuva. Encontramo-nos de novo dali a meia hora num restaurante perto da Basílica de São Pedro, à volta de uma mesa grande em forma de ferradura, na parte mais alta da sala. Quando estávamos já todos sentados, um dos presentes ergueu a voz e disse para todos ouvirem : «Padre Fernando, em nossa casa costumamos rezar antes de comer. Podemos dizer uma oração todos juntos?» «Claro que sim!», disse eu. E todos à nossa mesa se levantaram, dissemos uma oração juntos em voz alta e terminamos com o sinal da cruz. Nas outras mesas ali à volta, olhares de curiosidade e sorrisos de aprovação. Pela nossa parte, um ar de satisfação por termos dado um pequenino sinal da nossa fé, depois de termos passado a manhã escutando e aprendendo algo de uma fé diferente da nossa. Não sei se era do espírito de amizade e de fé que se vivia àquela mesa, mas o prato de espaguete nunca me pareceu tão bom.’


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