quinta-feira, 25 de maio de 2017

No Iraque, necessidade faz com que sacerdotes se tornem engenheiros

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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‘No Iraque, os sacerdotes são obrigados a se tornarem engenheiros para ajudar a reconstruir cerca de 13 mil casas de cristãos que foram danificadas ou destruídas pelo Estado Islâmico (ISIS) na Planície de Nínive. A ideia é que tenham um lugar para onde possam voltar.

Por esta razão, a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) criou a Comissão para a Reconstrução de Nínive.

Além de celebrar a Eucaristia, os sacerdotes também trabalham como topógrafos e conseguem materiais elétricos e materiais para a reconstrução das casas. Os primeiros trabalhos estão sendo realizados nos lugares ocupados pelo ISIS durante pouco tempo e onde não há muitos danos materiais.

Um dos membros deste projeto é o Padre Georges Jahola, um sacerdote sírio-católico natural de Qaraqosh.

O sacerdote disse à ACN que, ‘no Iraque, se a Igreja não faz estas coisas, quem vai fazer? Nós temos a capacidade de agir e de dialogar, e também temos contatos’.

A reconstrução da Planície do Nínive inclui cinco aldeias cristãs caldeias : Badnaya, Karamlesh, Telleskof, Bakofa e Telkef, localizadas na região do oriente.

Padre Salar Boudagh, outro membro da iniciativa, indicou que precisam de sete mil dólares para renovar uma residência levemente danificada. Restaurar uma casa incendiada custa 25 mil dólares e reconstruir uma casa completamente destruída custa 65 mil dólares.

Começamos a reconstrução em Telleskof e Bakofa, porque nesses locais os danos das casas não foram muito graves, ao contrário do que aconteceu em Badnaya, onde 80% das casas foram destruídas’, assinalou o presbítero.

Antes da chegada do Estado Islâmico viviam em Telleskof 1.450 famílias, em Bakofa 110, em Badnaya 950, em Telkef outras 700 e em Karamlesh 875. Para essas famílias, a primeira condição para voltar às suas casas é a segurança’, indicou o também Vigário Geral da diocese caldeia de Alqosh.

Em seguida, o sacerdote destacou que ‘nossa zona, a região oriental da Planície de Nínive, está sendo controlada por uma força de segurança cristã, os zeravani, que nos garante uma segurança de cem por cento. Trata-se de uma milícia oficial retribuída pelo Curdistão’.

Em Qaraqosh devem ser reconstruídas 6.327 casas de cristãos sírio-católicos (108 casas foram totalmente destruídas) e 400 casas de cristãos sírio-ortodoxos (7 totalmente destruídas).

Padre Jahola explicou que depois da libertação de Qaraqosh do controle dos jihadistas – operação que ocorreu entre novembro e dezembro de 2016 –, foram fotografadas seis mil casas da cidade. Estas foram divididas por setores e classificadas conforme o grau de deterioração.

Há casas muito danificadas ou totalmente destruídas que serão totalmente reconstruídas, casas queimadas ou atingidas por um míssil que podem ser restauradas e, finalmente, há casas parcialmente danificadas que podemos reconstruir com poucos recursos’, afirmou.

Quando começamos, éramos uma equipe de 20 engenheiros voluntários; agora temos 40 engenheiros e cerca de dois mil trabalhadores prontos para começar as obras. Somos otimistas, porque o abastecimento elétrico está sendo lentamente restabelecidos em toda a cidade’, assinalou o Padre Jahola.’


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terça-feira, 23 de maio de 2017

Pela primeira vez em 500 anos, um bispo convertido será elevado a cardeal

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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‘Papa Francisco não para de surpreender: no próximo dia 28 de junho, ele nomeará cinco novos cardeais e, entre eles, o arcebispo de Estocolmo, dom Anders Arborelius, primeiro prelado sueco a obter a púrpura cardinalícia desde a reforma luterana, em 1517.

Hoje religioso carmelita, dom Anders se converteu ao catolicismo na Suécia, país de forte tradição protestante. O arcebispo de 68 anos de idade recebeu o batismo quando tinha 20. Faz 46 anos que ele entrou na ordem dos carmelitas descalços.

O jovem tinha lido a autobiografia de Santa Teresinha de Lisieux, que o motivou a entrar na ordem carmelita. Uma decisão significativa, considerando que converter-se ao catolicismo na Suécia equivaleu, durante séculos, a perder direitos civis. As coisas só mudaram nos anos 1970, quando a liberdade de culto para todas as confissões no país passou a ser permitida com a mudança das normas impostas havia mais de quatrocentos anos pelo rei Gustavo de Vasa (1496-1560).

A nomeação do novo cardeal sueco é uma ponte para uma ‘periferia existencial’ da Europa onde ser católico é um estigma. A minoria católica na Suécia sofreu dura repressão até poucas décadas atrás.

Dom Anders, que recebeu o Papa Francisco na sua viagem a Lund em 1º de novembro de 2016, é testemunha da ação da Igreja em seu país para responder à secularização progressiva (e agressiva) dessa nação escandinava. Os frutos têm vindo : aos poucos, vem aumentando o número de novos conversos católicos na Suécia.


A trajetória de dom Anders Arborelius

Ele foi consagrado bispo na catedral católica de Estocolmo em 29 de dezembro de 1998, sendo o primeiro bispo católico de origem sueca em seu próprio país desde os tempos da reforma luterana do século XVI.

Seu testemunho como converso e bispo sueco levará experiência concreta ao Colégio de Cardeais que assessoram o Santo Padre no diálogo ecumênico e pastoral, especialmente para responder aos preconceitos ancestrais que persistem contra os católicos na Suécia e nos outros países influenciados pela reforma protestante.

Em 21 de janeiro de 2014, o Papa já o havia nomeado consultor do Conselho Pontifício para os Leigos.

O futuro cardeal Arborelius nasceu em Sorengo, na Suíça, em 24 de setembro de 1949, filhos de pais suecos que se divorciaram quando ele tinha 4 anos. Cresceu com a mãe em Lund, no sul da Suécia.

A família Arborelius era luterana, mas não praticante. A vocação ao sacerdócio do jovem Anders começou a se manifestar quando ele conheceu as freiras do convento de Santa Brígida e foi descobrindo mais da espiritualidade católica.

Ele entrou na ordem dos padres carmelitas descalços em 1971 e fez a profissão perpétua em Bruges, Bélgica, em 1977. Estudou Filosofia e Teologia na Bélgica e no Teresianum de Roma. Ao mesmo tempo, estudou línguas modernas na Universidade de Lund, conforme se lê na biografia oficial. Foi ordenado sacerdote na cidade de Malmö em 8 de setembro de 1979, festa da Natividade de Maria.

De 2005 a 2015 foi presidente da Conferência Episcopal da Escandinávia e, a partir de 2015, vice-presidente. Também foi membro da Comissão da Presidência do Conselho Pontifício para a Família entre 2002 e 2009.’

           
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segunda-feira, 22 de maio de 2017

12 regras de ouro para portar-se bem durante a Missa

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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‘A fim de aproveitar ao máximo os grandes frutos espirituais que se recebe na Missa é necessário participar da celebração com reverência.

A seguir, confira 12 regras de ouro ou conselhos práticos que servem para aproveitar a Missa e participar, ativa e reverentemente, na Eucaristia.


1. Não use o celular : Você não precisa dele para falar com Deus

Os celulares nunca devem ser usados na Missa para fazer ligações ou enviar mensagens de texto. É possível atender um telefonema de emergência, mas do lado de fora do templo. Por outro lado, é possível usar o telefone para leituras espirituais ou orações, embora seja necessário ser discreto.


2. Fazer jejum antes da Celebração Eucarística

Consiste em deixar de comer qualquer alimento ou tomar algo, pelo menos uma hora antes da Sagrada Comunhão, com exceção da água e dos remédios.

Os doentes podem comungar embora tenham tomado algo neste período antes da Missa. O objetivo do jejum é ajudar na preparação para receber Jesus na Eucaristia.


3. Não comer nem beber na Igreja

As exceções seriam : uma bebida para crianças pequenas ou leite para os bebês, água para o sacerdote ou para as pessoas do coral (com discrição) e para os doentes.

Levar um aperitivo à igreja não é apropriado, porque o templo é um lugar de oração e de reflexão.


4. Não mascar chiclete

Ao fazer isso, rompe-se o jejum, ocorre uma distração, está sendo indelicado em um ambiente formal e não ajuda na oração.


5. Não usar chapéu

É falta de educação usar um chapéu dentro de uma Igreja. Embora esta seja uma norma cultural, deve ser cumprida. Assim como tiramos o chapéu quando se faz um juramento, assim se deve fazer na Igreja como um sinal de respeito.


6. Fazer o sinal da cruz com água benta ao entrar e sair do templo

Esta é uma forma de recordar o Batismo, sacramento pelo qual renascemos para a vida divina e nos tornamos filhos de Deus e membros da Igreja. É necessário estar plenamente consciente do que acontece ao fazer o sinal da cruz e se deve fazer pronunciando alguma oração.


7. Vestir-se com modéstia

Os católicos são convidados a participar da Eucaristia vestidos adequadamente, pois, se normalmente se vestem bem para ir a uma festa ou a algum outro tipo de compromisso, não há razão para não fazer a mesma coisa na Missa.


8. Chegar alguns minutos antes do início da Missa

Se por algum motivo não consegue chegar a tempo, é recomendável sentar-se na parte de trás para não incomodar as outras pessoas. Chegar à Missa cedo permite rezar e se preparar melhor para receber Cristo.


9. Ajoelhar-se diante do Sacrário ao entrar e sair do templo

Ao permitir que o nosso joelho toque o chão, reconhecemos que Cristo é Deus. Se alguém é fisicamente incapaz de se ajoelhar, então, fazer um gesto de reverência é suficiente. Durante a Missa, se passamos diante do altar ou do tabernáculo, devemos inclinar a cabeça com reverência.


10. Permanecer em silêncio durante a celebração

Ao ingressar no templo, deve-se guardar silêncio. Se tiver algo para falar, faça de forma silenciosa e breve. Lembre-se de que manter uma conversa pode incomodar alguém que está rezando.

Se tiver uma criança ou um bebê, pode se sentar perto de uma saída para qualquer contratempo.

Recorde que não há razão para sentir vergonha por ter que acalmar o controlar seu filho, dentro ou fora da igreja. Ensine-os a se comportar, especialmente com seu próprio exemplo.


11. Inclinar-se ao receber a Comunhão

Se diante de você está Deus, então pode mostrar respeito inclinando a cabeça como reverência. Se desejar, pode fazer uma genuflexão. Esta é uma prática antiga que continua até os dias de hoje.


12. Espere que a Missa termine

Devemos permanecer na Missa até a bênção final. Lembre-se de que um dos mandamentos da Igreja é participar da Missa nos domingos e festa de guarda.

É um bom hábito, embora não seja obrigatório, oferecer uma oração de ação de graças depois da celebração.

Finalmente, a saída deve ser em silêncio para não incomodar as outras pessoas que desejam permanecer no templo rezando.’

           
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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Santa Hildegard : mulher moderna e inspirada

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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Segundo registros, Hildegard foi quem começou a utilizar o lúpulo na cerveja, principalmente com o intuito de conservação.


‘Pode uma freira de clausura do século XII, mística, inspirada por visões, ainda ter algo a dizer aos homens e mulheres do século XXI, tão ocupados, tecnológicos, aparentemente tão distantes das realidades ultraterrenas e daquele mundo simbólico?

O autor deste livro, insigne estudioso, não tem dúvida : a resposta é positiva, aliás, Hildegard parece ter antecipado algumas declarações do Concílio Vaticano II e, certamente, apesar de ser uma mulher do seu tempo, continua sendo moderna e atual.

Mas quem foi Santa Hildegard de Bingen, proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Bento XVI em 2012, uma honra que compartilha com Santa Teresa de Ávila, Santa Catarina de Siena e Santa Teresa de Lisieux?


A Vida da ‘Sibila Renana’

Hildegard nasceu em 1098, na Renânia, décima filha de Hildepert e Machtilde. Aos oito anos de idade entrou no mosteiro beneditino de Disibodenberg, e desde criança começou a ter visões, que ocorriam em estado de consciência, nada de êxtases ou transes, apenas ela sentia e percebia essas visões permanecendo em si, mesmo que se sentisse transportada para uma atmosfera diferente, em um estado de espírito semelhante ao de São Paulo, quando ele ascendeu ao terceiro céu. Percebia uma vívida luz, que lhe inspirava alegria e bem-estar e lhe permitia compreender os textos sagrados e as vozes do céu, embora pareça que as visões também estivessem ligadas ao fenômeno das frequentes doenças da santa.

Aos trinta e oito anos, tornou-se abadessa e a partir deste momento começou a registrar por escrito o que lhe era revelado, como tinha sido solicitado lá de cima.

É dessa forma que nasceram suas três grandes obras : Scivias (Sci-Vias, conheça as vias); Liber vitae meritorum que trata dos vícios e das virtudes que ocupam os corações dos homens, e Liber divinorum operum, considerada a sua obra-prima, centrada no homem ápice da criação e com a qual ficou envolvida por cerca de dez anos.

Em 1150, depois de muitas dificuldades, fundou um mosteiro em Bingen, em homenagem a São Rupert, lugar que logo atraiu muitas freiras e numerosos fiéis. A fama de Hildegard, chamada de ‘profetisa teutônica’ e de ‘Sibila renana’ rapidamente se espalhou. Apesar da saúde precária, a abadessa também realizou algumas viagens fora do mosteiro, durante as quais proferiu inflamados discursos ouvidos por grandes audiências em igrejas e praças. Se por um lado ela instava espiritualmente e lembrava a misericórdia de Deus, pelo outro não excluía ásperas repreensões e vívidas chamadas para a conversão.

Hildegard teve, pelos padrões de sua época, uma vida longa e ativa, e morreu em 1179. Não se dedicou apenas à escrita de seus principais livros, mas também trocou correspondências com reis, imperadores (Frederico Barbarossa, ao qual enviou severas advertências), papas, membros da Igreja, irmãs e homens de poder.

Mulher de caráter excepcional, não deixou de cobrar especialmente aos homens da Igreja os seus deveres, tinha a coragem de se expressar de forma bem clara nas cartas e externar o seu pensamento, fato que, para uma mulher daquela época, era bastante significativo. Mesmo não tendo uma cultura enorme (ela negava a sua preparação, mas tinha uma boa base cultural), Hildegard interessou-se por muitas disciplinas: medicina e farmacologia, música (compôs hinos e orações que depois eram cantados por suas freiras), ciências naturais, foi uma ‘mística que raciocina’, como afirma o autor deste ensaio, uma forte e surpreendente personalidade, que por muito tempo permaneceu pouco conhecida de todos nós.

Hildegard von Bingen - Ave generosa


A recente biografia teológica

Em relação ao ensaio de Frosini, trata-se de uma biografia teológica, que, portanto, apresenta a vida da santa e a contextualiza no seu tempo e na sua cultura e, em seguida, analisa de forma muito precisa - eu diria mesmo didática – o seu pensamento ponto por ponto, como em um tratado de teologia. Começa, portanto, com uma análise das obras e das visões e prossegue com o problema de Deus, a cristologia, a teologia da criação, o problema do homem, o mistério da Igreja, a escatologia e conclui com uma catequese de 8 de setembro de 2010 de Bento XVI sobre Hildegard.

O autor é muito claro nas explicações, cuidadoso, culto e apaixonado; a partir de suas páginas percebe-se imediatamente que ele consegue ‘imaginar’ a santa na sua época e interpretar o seu pensamento. Hildegard foi uma mulher inspirada, devota e sábia, foi moderna em virtude de muitas das suas observações teológicas: por ter colocado sempre a atenção no homem em sua totalidade, nos seus vários aspectos; por sua devoção cristológica (Cristo no centro de tudo); por suas reflexões sobre o Espírito Santo; por sua posição em relação aos Cátaros, que contrastava, mas que considerava que não deveriam ser exterminados; pelas reflexões sobre a natureza e o cosmos, que tem em si a luz divina e, portanto, é digno de ser respeitado e amado como teofania divina (não estamos muito distantes do problema ecológico).

Sem dúvida, também tinha ideias próprias de seu tempo, antigas (o próprio fato de ter entrado para um convento aos oito anos de idade é, para nós, inconcebível), mas é inevitável. Podemos dizer que os textos Hildegard são boas catequeses, cheias de bom senso. ‘Em geral, fica a impressão de que, para ela, a teologia poderia parar nas suas afirmações fundamentais (ou seja, disponíveis ao entendimento de todos), apenas o bastante para impostar com seriedade a vida com base em convicções bem fundamentadas, deixando para os outros, para os especialistas profissionais, a tarefa de aprofundar mais a reflexão. Uma teologia para a vida e não para si mesma, entendida e experimentada como um meio e não como um fim’.


Espírito profético

O autor reconhece a ela um espírito profético, no sentido que o profeta é alguém que fala em nome de Deus, que interpreta o presente com base na Palavra de Deus, ou, nas palavras de Karl Barth, ‘aquele que segura nas mãos o evangelho e o jornal’.

Hildegard teve este grande dom e soube valorizá-lo, e ele inspirou-lhe uma grande fé, um grande amor por Cristo e pela sua Igreja, que ela queria pura e irrepreensível. A sua figura ajuda a mostrar como o século XII, a chamada Idade Média, não tenha sido de todo um período obscuro, mas sim uma época repleta de cultura, iniciativas e personalidades brilhantes, que discutiam e refletiam sobre Deus, sobre o mundo e sobre o homem.

Certamente os textos de Hildegard não são de fácil leitura e, muito menos, interpretação, já que se trata de visões (algumas realmente fascinantes e ricas em símbolos); reconstruir de forma ordenada o pensamento da santa não deve ter sido uma tarefa fácil e isso aumenta o crédito de Frosini, que realmente realizou uma grande obra.

           
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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Um clássico para rezar depois de comungar

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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‘Como católicos, temos a bênção de compartilhar uma herança de oração rica e vibrante, acumulada literalmente ao longo de milênios. Com o tempo, muitas destas orações que em algum momento foram pilares da nossa fé, acabaram sendo tristemente descuidadas ou simplesmente não ensinadas – por conseguinte, não rezadas – tão frequentemente quanto antes.

Uma dessas orações tem sua origem no século XIV : ‘Alma de Cristo’. Esta oração recorda a Paixão de Jesus e é frequentemente pronunciada pelas pessoas após receberem a Sagrada Comunhão.

Houve épocas em que ela era tão conhecida, que autores como Santo Inácio de Loyola nem sequer se preocuparam em reproduzi-la, supondo que todos a sabiam de memória.


Origem da oração

O autor de ‘Alma de Cristo’ é desconhecido, mas muitos a atribuem ao Papa João XXII. Popularmente, assumiu-se que ela havia sido escrita por Santo Inácio de Loyola, dado que aparece em seu famoso livro ‘Exercícios Espirituais’.

De qualquer maneira, as primeiras versões impressas da oração podem ser encontradas em livros publicados mais de 100 anos antes do nascimento de Santo Inácio.

Uma redação similar pode ser encontrada em uma inscrição na entrada do ‘Alcázar de Sevilla’, um palácio real da Espanha, datada entre 1350-1369.


Alma de Cristo

É fácil entender por que Santo Inácio amava a ‘Alma de Cristo’. Esta oração tem imagens vivas que permitem a quem ora meditar na Paixão de Jesus e sua relação com o Senhor, enquanto referir-se ao Corpo de Sangue de Cristo a converte em uma oração ideal para depois de receber a Comunhão.

O nome ‘Anima Christi’, como é conhecida em muitos lugares, é em latim a primeira frase da oração ‘Alma de Cristo’.

Renove sua fé e sua intimidade com Deus :

Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das vossas chagas, escondei-me.
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
para que vos louve com os vossos santos,
por todos os séculos.
Amém.’

           
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terça-feira, 16 de maio de 2017

Sobre a Maneira de Rezar

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*São Cipriano, Bispo de Cartago (+258)


‘Os preceitos evangélicos não são outra coisa, Irmãos Caríssimos, senão os ensinamentos divinos, fundamentos para edificar a esperança, provações para robustecer a fé, alimento para nutrir a alma, leme para dirigir a navegação, presídio para a salvação. Ao mesmo tempo que iluminam os crentes dóceis sobre a terra, guiam-nos até aos reinos celestes.

1. Deus quis que muitos ensinamentos nos fossem dados por meio dos Profetas, Seus Servos. Mas quão superiores são as palavras do Seu Filho, aquelas palavras que o Verbo de Deus, já ressonante nos Profetas, atesta com a Sua viva voz. Já não é alguém que vem aplanar os caminhos d'Aquele que há de vir, mas Aquele que veio e nos abre e mostra o caminho. Deste modo os que, antes, incautos e cegos cambaleavam nas trevas da morte, iluminados agora pela luz da graça, podem seguir na vida sob a guia e o governo de Cristo.

2. Entre outros conselhos salutares e ensinamentos divinos com os quais provê à salvação do Seu povo, Cristo deu também a norma da oração, e Ele mesmo nos mostrou e ensinou como devemos rezar. Aquele que nos deu a vida, ensinou-nos a pedir, com a mesma benevolência com que Se dignou dar-nos os outros bens. Assim rezando ao Pai com a oração do Filho, somos mais facilmente ouvidos.

Já antes tinha anunciado o dia em que os verdadeiros adoradores aprenderiam a adorar o Pai em espírito e em verdade (Jo. 4, 23), mas agora cumpre a promessa e faz de nós, santificados pelo espírito de verdade, verdadeiros e espirituais adoradores, conformes ao Seu ensinamento.

Que oração haverá mais espiritual do que aquela que nos ensinou Cristo, o qual enviou sobre nós o Espírito de Verdade? Que oração será mais verdadeira do que aquela que saiu dos lábios de Quem é a verdade?

Portanto, rezar de outra maneira diferente da que Cristo nos ensinou, não só é um ato de ignorância, mas uma culpa, pois Ele mesmo disse : ‘Vós rejeitastes o mandamento de Deus para acreditar na vossa doutrina’ (Mc.7,8).

3. Seja a nossa oração a que o nosso Mestre nos ensinou. É cara e familiar a Deus a oração composta pelo Seu mesmo Filho. Assim, quando rezamos, o Pai reconhece as palavras do Filho.

Aquele que é hóspede do nosso coração esteja também nos nossos lábios. Se Cristo está junto do Pai como advogado para os nossos pecados, nós pecadores devemos rogar o perdão dos pecados com as mesmas palavras do Advogado. De fato, se Ele nos prometeu obter tudo o que pedirmos ao Pai em Seu Nome (Jo. 16, 23), quanto mais eficazmente obteremos o que pedimos em Nome de Cristo se o pedimos com a Sua mesma oração?

4. Os que rezam, tenham devoção à doçura das palavras. Pensemos estar na presença de Deus e por isso devemos ser aceites aos Seus olhos pela atitude do corpo e pela maneira como rezamos. Como é imprudente quem pede sem piedade, assim a oração convém que seja em tom respeitoso e submisso. O Senhor ensinou-nos a rezar no silêncio e nos lugares escondidos das nossas casas. Esta atitude é mais adequada à nossa fé para que saibamos e jamais olvidemos que Deus está em toda a parte, vê tudo e atende a todos, enche com a plenitude da Sua majestade os lugares mais recônditos.

Está escrito : ‘Não sou Eu o Deus do alto e o Deus que está a teu lado? Se o homem se esconde, deixo acaso de o ver? Não sou Eu que encho o céu e a terra?’ (Jr. 23, 23-24). ‘Em todo o lugar os olhos de Deus observam os bons e os maus’ (Pv. 15,3). E quando nos juntamos aos outros irmãos para celebrar com o Sacerdote o Sacrifício divino, devemos recordar-nos de ser devotos e disciplinados na oração e não espalhá-la ao vento numa seqüência de palavras, nem dirigi-Ia a Deus precipitadamente, mas sim com propósitos. Deus não escuta a voz, mas o coração. Deus, que perscruta os pensamentos humanos, não quer ser rogado com gritos. Diz assim o Mestre : ‘Que andais vós a ruminar nos vossos corações’ (Lc. 5, 22) e ainda : ‘Todas as Igrejas saibam que Eu perscruto os rins e os corações’ (Ap. 2, 23).

5. Já nos mostra isto o primeiro Livro dos Reis com o exemplo de Ana, figura da Igreja. Ana rezava ao Senhor não com palavras clamorosas mas na humildade e no silêncio com o seu coração. A sua oração era oculta, mas era manifesta a sua fé. Falava com o coração e não com a boca, porque só assim era ouvida por Deus. Por isso obteve o que pediu, porque rezou com fé, como atesta a Sagrada Escritura : ‘Falava no seu coração. Os seus lábios moviam-se, mas não se percebia a sua voz. E Deus escutou-a’ (1 Re. 1, 13). O mesmo se lê nos Salmos (5, 5) : ‘Pensai no silêncio dos vossos quartos’. Jeremias põe na boca de Deus estas palavras : ‘Encontrar-Me-eis se Me procurardes com todo o coração’ (Jr. 24, 13).

6. Quando rezarmos não esqueçamos o publicano no templo, que não ousava levantar os olhos ao céu nem se atrevia a elevar as mãos, mas batia no peito em sinal de detestação dos seus pecados, e assim pedia a ajuda da misericórdia divina. Enquanto o fariseu se comprazia a si mesmo, o publicano, com a sua oração, mereceu ser santificado mais, visto que colocou a esperança da sua salvação não na sua inocência - pois ninguém é inocente - mas na humilde confissão dos seus pecados. E, Aquele que do Céu perdoa os humildes, ouviu a sua oração, como se lê na parábola evangélica que se segue : «Dois homens subiram ao templo para rezar; um era fariseu, o outro era publicano. O fariseu, de pé, rezava assim : ‘Eu Te dou graças, ó Deus, porque não sou como os outros homens, ladrões, injustos, adúlteros; nem tão pouco sou como aquele publicano. Eu jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus bens’. O publicano, ao contrário, lá longe, nem se atrevia a erguer os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo : ‘Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador’. Pois Eu vos digo que este voltou justificado para sua casa. Não aconteceu o mesmo com o outro, pois quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado» (Lc. 18, 10-14).

Também os Apóstolos, com todos os discípulos, rezavam assim depois da Ascensão do Senhor : «Perseveravam todos unanimemente na oração, com as mulheres e com Maria, Mãe de Jesus, e com os Seus irmãos» (At. 1, 14). Perseveravam concordemente na oração e assim demonstravam, com a assiduidade e unanimidade da sua oração, que Deus «faz habitar sob o mesmo teto todos os que estão de acordo» (Sl. 57, 7) e não admite à Sua divina e eterna habitação senão aqueles cuja oração é comum e unânime.’

           
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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Francisco e Jacinta Marto candeias que Deus acendeu

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

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*Artigo de Ângela de Fátima Coelho, 
Postuladora das causas de canonização de Francisco e Jacinta Marto


‘Olhamos a vida dos irmãos Francisco e Jacinta Marto como quem se deixa desafiar pela sua entrega humilde e comprometida — até ao extremo (Jo 13,1) — aos desígnios de misericórdia de Deus anunciados pela Senhora de Fátima. São duas crianças com uma maturidade de fé impressionante, que assumem a mensagem trazida pela Senhora do Rosário, vestida de luz, como seu programa de vida. As suas biografias apontam à Igreja um jeito de viver à luz do Evangelho, um estilo de viver que se faz de humildade, disponibilidade e compromisso, um jeito de viver cristiforme. São duas crianças que conheceram a beleza de Deus e aceitaram ser reflexos dela para o mundo.

Francisco e Jacinta Marto nasceram em Fátima — uma paróquia que pertence hoje à diocese de Leiria-Fátima, Portugal — no início do conturbado século XX. São os mais novos dos sete filhos do casal Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus. Francisco nasceu em 11 de junho de 1908 e foi batizado no dia 20 desse mês. A sua irmã Jacinta Marto nasceu em 11 de março de 1910 e foi batizada no dia 19 desse mês. Os irmãos receberam uma educação cristã simples, mas marcada pelo exemplo de vida comprometida com a fé : a participação dominical na eucaristia, a oração em família, a verdade e o respeito por todos, a caridade para com os pobres e os necessitados. Francisco era um menino pacato e pacífico, apaixonado pela contemplação da criação. Com seus companheiros era sinal de concórdia, mesmo na ofensa e na desavença. Jacinta, por seu lado, tinha um caráter carinhoso e terno, embora bastante caprichoso. Tinha um particular carinho pela prima Lúcia e uma sensibilidade muito impressiva.

Ainda muito novos, começam a pastorear o rebanho de seus pais : tinha o Francisco 8 anos de idade e a Jacinta 6. Passavam grande parte dos seus dias na tarefa de acompanhar as ovelhas, na companhia da prima Lúcia, que também era pastora.

Na primavera de 1916, Francisco e Jacinta, na companhia da prima Lúcia foram arrebatados pela contemplação de uma «luz mais branca que a neve, com a forma de um jovem» e imersos numa atmosfera intensa em que a força da presença de Deus os «absorvia e aniquilava quase por completo». Era o Anjo da Paz, que os visitaria por três vezes, na primavera, verão e outono de 1916. Nas suas palavras e com os seus gestos, o Anjo fala-lhes do coração de Deus atento à voz dos humildes sobre quem tem «desígnios de misericórdia», convida-os à atitude da adoração. No último encontro, o Anjo oferece-lhes o Corpo e o Sangue de Cristo, o Dom primordial à luz do qual os videntes serão convidados a oferecer-se em sacrifício por todos os «homens ingratos». A vida de Francisco e Jacinta conhece ali a sua vocação : encher de Deus os olhos e o coração e tornar-se espelho dessa presença cuidadora, oferecendo as suas vidas como dom pelos demais.

Em 13 de maio de 1917, encontrando-se as três crianças na Cova da Iria, foram surpreendidos pela presença de uma ‘Senhora mais brilhante que o sol’ que lhes disse ser do Céu. A Senhora pediu-lhes que voltassem à Cova da Iria seis meses seguidos, em cada dia 13, que, na aparição final, lhes revelaria quem era e o que queria. Entretanto, convocou os pastorinhos a oferecerem a sua vida inteiramente a Deus. ‘Quereis oferecer-vos a Deus?’, foi a pergunta fundamental das suas vidas. Os três videntes acolheram o convite da Senhora : ‘Sim, queremos’, e viram a sua disponibilidade ser confirmada por uma luz imensa que as mãos da Virgem ofereciam e que penetrou o seu íntimo, fazendo-os ver a si mesmos «nessa luz que era Deus».

Na aparição de julho, a Senhora revela às três crianças o que ficou conhecido como o Segredo de Fátima, que consta de uma visão em tríptico — o inferno; o Imaculado Coração de Maria; e a Igreja mártir a caminho da Cruz. Esta visão causará grande impacto em Francisco e Jacinta e levá-los-á a comprometerem-se, pela oração e pelo sacrifício, na conversão dos pecadores e na oração pela Igreja.

Depressa se espalhou a notícia da presença da Senhora do Rosário e o número de curiosos e peregrinos que afluíam à Cova da Iria aumentava a cada mês. Para os irmãos Marto, as constantes solicitações, os intermináveis e extenuantes interrogatórios, as acusações de fraude ou de avidez, ou mesmo as pressões e ameaças a que foram sujeitos foram fonte de grande sofrimento. Viveram este sacrifício na presença de Deus, tudo relativizando diante do amor de Deus e a Deus.

O último encontro, em 13 de outubro de 1917, é presenciado por uma grande multidão que se torna testemunha do sinal prometido pela Senhora do Rosário. Francisco e Jacinta levarão desse derradeiro encontro a bênção que recebem de Cristo e que há de marcar definitivamente os seus dias com os pedidos da Senhora do Rosário : a oração do rosário, o amor sacrificial pelos irmãos, o olhar misericordioso sobre os dramas do mundo.

A partir daqueles encontros inauditos, Francisco e Jacinta passam a viver focados em Deus. Nada mais lhes preenche o coração. Ao olhar as suas biografias de fé, a Igreja encontrará o rosto de Cristo e sentir-se-á interpelada à fidelidade do discipulado cristão. Se a espiritualidade de Francisco foi particularmente marcada pela contemplação e se a de Jacinta se caracterizou pela compaixão, a Igreja encontrará nos seus dois mais novos santos um modelo do que ela mesma é chamada a ser : contemplativa, com os olhos repletos de Deus, e compassiva, com as mãos empenhadas na transformação do mundo.

O Francisco foi um menino centrado no essencial. Tinha uma dimensão contemplativa de que ninguém suspeitaria que uma criança fosse capaz. Viveu uma vida unificada em Deus. Gostava de se esconder para «pensar em Deus» a sós, e a sua felicidade maior era estar com o seu amigo, «Jesus escondido». O Francisco percebeu muito bem que o Anjo e a Senhora do Rosário apontavam um caminho que conduzia a Deus. A certa altura, ele diz : «Gostei muito de ver o Anjo, mas gostei ainda mais de Nossa Senhora. Do que gostei mais foi de ver Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito».

A Jacinta foi uma menina apaixonada e comprometida. Ela viveu comprometida com o amor a Deus e a toda a humanidade. Impressionava-se com o sofrimento dos outros, sobretudo com o sofrimento da Igreja, na figura do Santo Padre, e com o sofrimento dos pecadores. E o seu compromisso leva-a a assumir esse sofrimento pela entrega de si. Ela vive com o desejo de incendiar em todos o amor de Deus. Diz ela, em certa ocasião : «Se eu pudesse meter no coração de toda a gente o lume que tenho cá dentro no peito a queimar-me e a fazer-me gostar tanto do Coração de Jesus e do Coração de Maria!».

O processo de canonização dos pastorinhos é o reconhecimento diante do Povo de Deus de que estas crianças, que encarnam o acontecimento de Fátima, chegaram, como diz a carta aos Efésios, «ao homem adulto, à medida completa da plenitude de Cristo» (Ef 4, 13). Canonizá-los é sobretudo reconhecer a sua fidelidade ao compromisso assumido no regaço de Maria de, em tudo, ser fiel a Jesus. Canonizá-los é também confirmar o que já reconhecemos : que Fátima é uma escola de santidade que aponta para a plenitude da vida em Deus. Como dizia São João Paulo II, ao beatificar os dois pequenos pastores, «a Igreja quer colocar sobre o candelabro estas duas candeias que Deus acendeu para alumiar a humanidade nas suas horas sombrias e inquietas».

Somos convidados a continuar a levar aos cristãos a vida destas crianças, como testemunho da vida em Deus, e a continuar a interceder pelos cristãos junto das crianças, como intercessores junto de Deus. No centenário das Aparições de que foram testemunhas e com cuja mensagem se comprometeram até ao extremo, evocar a vida de Francisco e de Jacinta e celebrar a sua entrega generosa a Deus é procurar a mesma contemplação e compaixão que eles viveram, e confiar as nossas vidas nas mãos de Deus, pela intercessão da Senhora do Rosário e destes pequenos pastores segundo o coração de Deus (Jr 3, 15).


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