sábado, 5 de agosto de 2017

Pela primeira vez, elegem uma cristã como prefeita de uma cidade do Iraque

Por Eliana Maria (Ir. Gabriela, Obl. OSB)

Lara Zara recebeu autoridades políticas e religiosas como o Patriarca católico caldeu de Bagdá, Dom Louis Sako, e o Arcebispo de Erbil, Dom Bashar Warda.
Lara Zara recebeu autoridades políticas e religiosas como o Patriarca católico caldeu de Bagdá, Dom Louis Sako,
e o Arcebispo de Erbil, Dom Bashar Warda. (Reprodução/ Iraqi Christian HRC)


‘Lara Yussif Zara é a primeira mulher cristã a ser eleita prefeita de uma cidade localizada na região da Planície de Nínive, no norte do Iraque, no último dia 27 de julho.

Zara, uma católica caldeia de 35 anos e economista de profissão, é a nova prefeita de Alqosh, uma cidade onde vivem cerca de seis mil cristãos e que é a cidade que esteve mais perto do território da Planície de Nínive ocupado durante três anos pelo Estado Islâmico.

Segundo contou ao Grupo ACI o Padre Luis Montes, missionário do Instituto do Verbo Encarnado (IVE) no Iraque, muitos dos cristãos que viviam em Alqosh fugiram da cidade por medo de que fosse tomada pelo ISIS, mas depois regressaram porque as milícias curdas conseguiram defender a região. Indicou que inclusive os habitantes receberam muitos refugiados.

Zara não é a primeira mulher a ser eleita prefeita no Iraque. Desde 2015, Zekra Alwach, de origem muçulmana, ocupa o cargo de prefeita de Bagdá.

Após sua eleição, Lara Zara recebeu a visita de várias autoridades políticas e também religiosas como o Patriarca católico caldeu de Bagdá (Iraque), Dom Louis Rafael Sako, e o Arcebispo de Erbil, Dom Bashar Mati Warda.

Segundo informou a agência vaticana Fides, Lara Zara foi eleita por unanimidade pelo Conselho do Município de Qaraqosh, para substituir Abdul Micha, que tinha sido destituído de seu cargo de prefeito de Alqosh por acusações de corrupção.

Esta medida causou polêmica entre os cristãos de Alqosh, já que a destituição foi realizada por um membro do Partido Democrático do Curdistão (PDK) e chefe do conselho provincial de Nínive, Bashar al Kiki, o qual, além disso, substituiu provisoriamente Micha por um líder político próximo ao PDK.

Em declaração à Rádio Vaticano, o Patriarca Caldeu, Dom Rafael Louis Sako, expressou sua preocupação por esta situação já que ‘o prefeito, o governador de Alqosh ou das aldeias da Planície de Nínive são eleitos pelo povo e um partido não deve eleger, mudar ou substituir. Isso é muito perigoso para nós, porque devemos respeitar os direitos dos habitantes dessas aldeias’.

As pessoas da Planície de Nínive devem decidir seu futuro e não os outros. E há uma luta pela Planície de Nínive com as pessoas que ainda têm medo de regressar porque não sabem o que acontecerá, o futuro não é claro’, acrescentou.

Sobre isso, a agência Fides assinalou que ‘vários observadores tinham interpretado a destituição do prefeito Abdul como um movimento orquestrado pelas forças políticas curdas’.

Os curdos são uma minoria étnica que não conta com um território nacional, mas que vivem em vários países do Oriente Médio, como Iraque, Síria, Turquia e Irã.

Fides indicou que alguns políticos cristãos, como o parlamentar Yonadam Kanna, tinham denunciado que os curdos estão exercendo uma pressão política sobre as minorias étnicas no Iraque, como os cristãos, para que apoiem o referendo para a independência do Curdistão iraquiano que acontecerá no dia 25 de setembro.

Nesse sentido, através de um comunicado, o Patriarcado Caldeu da Babilônia assinalou que, por meio da destituição do prefeito de Alqosh, estão dando uma ‘tentativa de colocar as mãos nas cidades da Planície de Nínive, através de manobras ocultas e disputas públicos que exercem efeitos adversos sobre os povos desta terra’.’


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